terça-feira, 18 de novembro de 2014
Dos desentendimentos
As pessoas tem o costume de resolver conflitos uns com os outros deixando de conversar. Deve ser por que é o caminho mais fácil, né? Não é? Estou falando com você... TuTu Tu!
domingo, 2 de novembro de 2014
Bi, pluri
O quão difícil é para você tomar decisões, escolher
caminhos? Quantas horas de preocupação são necessárias até o momento tão
esperado e claro da decisão? Quanto custa despir a si mesmo e tentar enxergar o
invisível? O esquecido, o acabado, o dono da voz que você calou sob algumas
chaves dentro de si.
Dor. Dor de ansiedade e angustia.
Dor do caminho. Dor do que virá.
Há tantas escolhas a serem feitas, desde o deitar ou
levantar. E quem dirá a escolha de ficar.
Amar a profissão. Amar o hábito, o tédio, o dia. Amar a
companhia. Amar a tudo e ao mesmo tempo amar a si mesmo. Doce ilusão e a
tentativa de não desistir. De ter tudo o que não se pode ter, juntamente. Ou
pode. Alguns tem. Mas são só alguns. Os outros que sofram. Escolhas , dados e
moedas.
domingo, 31 de agosto de 2014
O extraordinário
Finalizo recentemente o livro “O extraordinário”, lido
em poucos dias. Como descrevê-lo?
Uma narrativa simples, mas ao mesmo tempo
extraordinária. Uma mesma história vista através de diversos ângulos, por
diversos personagens. Lentes diversas. August, um garoto diferente das outras
crianças, com uma doença raríssima que o fez passar por mais de vinte cirurgias
em poucos anos de vida. O resultado? Um rosto diferente e uma vida por milagre.
Esse é o nosso personagem principal, que vive em uma família maravilhosa e
compreensiva, que decide que é hora de seu menino ir além, de estudar em uma
escola de verdade, como as outras crianças. Mas a decisão é dele. E ele vai.
Enfrenta, como sempre enfrentou, olhares diversos e comentários dolorosos. As
pessoas sabem ser más e, ás vezes, instintivamente magoam aos outros em um
primeiro momento. Mas há tempo de repensar. Há sempre tempo de mudar de
opinião, de julgar além das aparências. E quem o August realmente é vence.
Quantos Augusts existem por aí afora? Diferentes em
meio a tanta gente igual?
Sofrem preconceitos, maldades e jugos. Quantos Augusts
nos inspiram? Vencem. Vencem o mundo e as próprias dificuldades... Como diz
o dicionário Larousse, são além do ordinário, são extra, de melhor qualidade. O
melhor que o homem pode ser.
Fonte da imagem: www.borboletando.org
Fonte da imagem: www.borboletando.org
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Minha crônica de uma morte anunciada
Ontem o dia me fez refletir
sobre a morte. A começar por ligar a televisão logo pela
manhã
e compartilhar da dor de um casal que perdeu suas três lindas crianças em um
acidente de avião. Tive compaixão, me coloquei
no lugar deles em minha imaginação e pude ter um breve relampejo do
peso de estar naqueles corpos, naqueles corações. Feridas que
não
se fecharão
tão
cedo, se é
que um dia o farão. Um moço sentou-se ao
meu lado no ônibus
e logo tirou uma foto 3x4 de seu bolso. Era uma mulher. Mãe? Namorada?
Estava escuro e eu nada podia deduzir além de suas lágrimas e
indignação.
Dei-a por falecida e aí que entrou minha reflexão. O que pude
fazer para ele foi apenas oferecer meu celular para fazer uma ligação, apesar de
querer ofertar-lhe um ombro. Tanta gente feliz por novos entes que nascem, mas
nesse mesmo instante muitos outros se vão. A dor e a
perda ė
condição
inevitável
da natureza, e um dia é você a sentar
naquela poltrona da perda. Estamos todos em uma fila de espera, esperando a próxima dor,
rezando para que demore a próxima perda. A vida ainda é curta demais
para nos acostumarmos com a morte. Não a queremos próxima de onde
toca nosso coração. Mas em menos de 24 horas foi a vez
da minha família
ser chamada nessa fila. Meu avô nos deixou neste dia, e hoje sento na
poltrona do ônibus
daquele moço.
E recebo uma carona ate a rodoviária de uma colega de trabalho... gestos...pequenos
gigantes gestos! Mas a dor continua inevitável, ate o
momento em que trocamos de assento, e nos deitamos para sempre.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Orcas, as baleias assassinas
“Que loucura, né? Que profissão mais doida essa de treinar e
nadar com as orcas. Olha só que lindo! Quero ir nesse tal de Seaworld um dia”.
Leiga. Essa sou eu e minha opinião logo no início do
documentário “Blackfish”.
Já a Rafaela de uma hora depois, teve seus conceitos
revistos. Afinal, qual o problema em mudar de opinião?
Nenhum. É amadurecimento. São pontos de vistas analisados. Eis
os fatos.
As baleias são, como qualquer outra coisa que passa pela mão
do homem, um objeto mercadológico, capaz de promover um lucro imenso.
Selvagens, em seu habitat natural, estes animais nunca
ofereceram ameaça alguma aos homens. Mas, quando trazidas como objetos ao
espaço humano, os problemas aparecem, e os “monstros” são liberados.
Submetidas a espaços minúsculos durante mais de um terço de
suas vidas, a agressões físicas causadas por outras baleias residentes nos
parques, à separação de sua cria alguns anos após seu nascimento, à insuficiência
na alimentação, e por aí vai...
Estudiosos afirmam que as orcas possuem um grande vínculo
social entre sua espécie, e também um grande vínculo emocional entre elas.
Imaginar o impacto da separação entre uma baleia mãe e sua cria é doloroso.
Muitas vidas de treinadores foram tiradas pelas baleia (isso
também me dói). Muitos treinadores que nem sequer estavam lá para se defender
foram acusados pelos donos dos parques como culpados pela própria morte por
motivos ridículos, entre eles estar usando um “rabo de cavalo” no momento do
ataque. E uma espécie inteira de baleias pagou por isso, e hoje carrega o fardo
de “assassinas” como sobrenome.
Afinal, quem são os verdadeiros assassinos?
Eu só sei de uma coisa. Hoje, se quiser ver uma baleia de
verdade, terá que ser ao natural, no meio do mar.
Não darei o lucro de um ingresso para seja lá quem for o
dono do Seaworld, que é incapaz de ser humano, que é incapaz de ver algo além
do lucro.
E viva as orcas!
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Lentes da inquisição
Lentes da inquisição
Ontem, ao voltar do trabalho, me sentei no ônibus ao lado de
uma menina com um bebê no colo. Logo a imaginei como a irmã do bebê, mas creio
que estava equivocada.
Tudo indicava que ela era mãe da criança. Uma jovem de quem
sabe seus catorze ou quinze anos e que gostava de escutar funk no celular. Séria.
Dormia, e quando seu filho ameaçava resmungar, lhe oferecia uma mamadeira na
boca.
No mesmo instante meus olhos já estavam vestidos com as
lentes da inquisição:
Ela não parecia feliz. Logo imaginei ser uma gravidez
indesejada. Bem provavelmente ela era uma mãe solteira, não tinha aliança nos
dedos. Um feto carregando outro. Não deveria ter um filho nos braços, tão nova.
Fosse o tempo de minha avó seria uma boneca.
Julguei.
Hoje, um senhor puxou assunto comigo enquanto esperava meu
ônibus.
Começou a contar de sua vida. Que agora, aos sessenta anos,
se tornou avô e pai novamente. Ganhou um filhinho de um ”rala e rola” que teve
com uma moça de 22 anos. Em janeiro vão se casar.
Está muito feliz, muito mesmo, embora a família ache que ele
ficou louco. Embora a moça, mãe de seu mais novo filho, se sinta insegura com a
mudança.
E lá estava ela, a lente da inquisição, que foi parar no meu
ouvido como se fosse um filtro, como se junto com as palavras do senhor,
viessem vermes que apodrecem seu conteúdo, achando aquilo um tanto quanto
absurdo.
E por que, meu Deus!?
Será que eu sou melhor que isso? Claro que não!
Se ele está feliz, quem é o mundo para ser contra? E quem
sou eu?
Não existe melhor e nem pior. Existem escolhas. Existem
escapes. Existem acasos, e suas consequências.
E a felicidade, bem, esta pode estar em qualquer uma dessas situações,
só depende da lente que você usa para enxergá-las.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Da sexualidade
Há quem diga que o mundo de hoje
está perdido. Que nunca houve tanto casamento sendo desmanchado, tanta traição,
tanta dificuldade nos relacionamentos, tanto absurdo, e desvalorização da
mulher e etc., e etc. Lendo o livro “Histórias íntimas” de Mary Del Priori,
percebi que não é bem assim. A sociedade brasileira desde sempre foi “podre”. O
casamento: um arranjo de conveniências entre famílias e, é claro, de
conveniências masculinas por terem mulheres submissas que lhes servissem nos afazeres
domésticos . Na cama? As mulheres não poderiam nem sonhar em tomar a iniciativa
para o sexo com seus maridos (e essa palavrinha, sexo, jamais era pronunciada).
Sexo apenas vestidos. Nudez era
imprópria. Seios? Apenas objetos de amamentação, nada eróticos. Orgasmos
femininos? Apenas começou a ser falado de tal igualdade de prazer entre os sexos
em meados do século XX. Traição
masculina? Normal. Esposas para procriar, mulata para foder. Traição feminina?
Apedrejamento! Masturbação causava doenças! Menstruação? Coisa do demônio!
A influência da Igreja sobre a
sociedade era altíssima. O sexo era algo feio, sujo, que devia ser feito apenas
para procriar, jamais para o prazer. E justamente lá, nas missas aos domingos,
que muita coisa acontecia... Que os homens e mulheres trocavam bilhetes,
encontros e carícias. Confessionários tiveram muitas histórias pecaminosas para
contar, inclusive com os membros da igreja e mulheres casadas. E então me vem a
pergunta... e hoje?
O hoje não passa de uma herança de
ontem. Tanta podridão não sai assim, de um século para o outro. Ela é levada ,
na veia, de uma geração para outra. E sabe de uma coisa? A divulgação é apenas
maior, mais rápida do que ontem. Porque a podridão... essa continua... e é até
mais “banal” do que quando lia o livro “Histórias íntimas”, que me deixava
boquiaberta com os absurdos da história da sexualidade no nosso Brasil.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
segredos da meia noite
Escrevo porque minh'alma transborda
De lágrimas, arrependimentos e paralisia
Exagero talvez
Mas é como me sinto
Um nada
Um umbigo nada
Economizar dinheiro,
Ganhar dinheiro
E, para que, José?
A vida é tão curta,
E os laços...
Os laços são frouxos
Os nós machucam
E a vida permanece curta...
Hora um se vai
Ora outro vem
Ora a passagem é só de ida.
Vê-se o velho...
Aquele cujas histórias enchiam o coração de fúria e rancor
Agora é criança novamente,
Um Beijamin Button.
Desaprendeu das coisas, seu maior apego agora não é mais
reconhecido
Transformou-se em quase nada.
E é a perda se aproximando a qualquer momento que faz
refletir,
Que faz penar.
Compaixonar.
Me sinto um nada
Paralítica pelas minhas manias, meus medos e condições
De ficar sem o líquido,
De estragar as lentes de contato e fabricar “mas” tantas
vezes que...
Falta o agora, o momento, o carpe diem.
A alma não acompanha o corpo.
Aquele velho espírito de oito anos atrás, onde estará agora?
Talvez morto
Talvez morimbundo
Talvez em restauro
Ou talvez renasça como a fênix,
Do pó.
E me faça mulher
Com M grande,
Forte e brava
Como o maresia que cobre o meu cheiro
De dia profissional
E à noite,
Essa noite,
Uma criança a chorar suas misérias.
E como me disse hoje, Ferreira Gullar:
“Mas, ao fazer o poema, você transforma sofrimento em
alegria estética...E isso pra mim é paz”
Quero paz.
E a encontrei nesses versos trôpegos surgidos em meio aos
meus dedos,
Frenéticos,
Genéticos.
Meus.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Dos pequenos gestos
Mas ultimamente, estou percebendo
que pequenos gestos que faço – pequenos mesmos – estão fazendo a diferença para
que eu olhe trás e diga que valeu a pena acordar aquele dia.
E as consequências dos gestos me
confirmam: vale a pena, sempre vale!
Hoje estava passeando pela feira
do livro que está tendo em minha cidade, com o tempo muito limitado, pois logo
teria que pegar o ônibus para ir trabalhar. Muitas crianças visitavam a feira
naquele momento com suas escolas. Tinha em minhas mãos uma porção de livros que
iria comprar, devido ao preço muito barato: 3 reais cada. Vi um garoto loiro,
de olhos claros e ele me perguntou quanto custava cada livro. Dei-lhe a
resposta e recebi uma carinha tristinha como retorno: Eu só tenho dois reais!
Ele não me pediu nada, nem insinuou pela maneira em que respondeu, apenas
desabafou alto. E de repente eu não tinha opção nenhuma, a única atitude que
pude ter foi lhe dar o um real que faltava e vê-lo retirar o livro que queria
da estante, pagar, pegar sua sacola, e vir novamente em minha direção e me
agradecer com um sorriso. Retribuído.
Penso não ter feito mais do que a
minha obrigação! O que é um real perto de ver um menino saindo feliz, com um
livro nas mãos? Não, isso não tem preço. E não deveria ter para ninguém, para
criança nenhuma, nunca. Ainda mais um livro, alimento da alma. Futuro provedor
de alimentos físicos.
A grandeza dos dias é diretamente
proporcional à sua capacidade de perceber a pequenez de algumas oportunidades,
e agarrá-las firmemente.
Ajudar uma senhora que carregava
malas e mais malas a pegar seu cachecol que caiu do chão, ajudar, ajudar,
ajudar. Por nada. Por tudo. Pra tornar grande os meus dias pequenos. E ter a
paz e a alegria de saber que aquele dia valeu ser vivido.
terça-feira, 4 de março de 2014
Lágrimas públicas
Choro de dor,
machucado no dedo.
Choro de perda, de
alguém que se foi.
Choro de riso,
alegria sem fim.
Choro hormonal,
motivos faltantes.
Chorar.
Deixar o rio da água
correr,
Transformar em
mangue.
Sentimento bruto
sedimentado no corpo.
Hoje chorei. Chorei
em público, mais precisamente em uma rodoviária. E confesso que a experiência é
meio perturbadora.
O que acontece é que
você se sente o centro das atenções, o alvo de todos os olhares. Chorava em meu
canto, quieta, porém a vermelhidão no rosto não me deixava esconder.
Desde a moça que
vende casquinha no quiosque até o senhor que estava prestes a embarcar: os
olhares são carregados de sentimentos e vem com uma pergunta que não quer
calar: " por que será que ela está chorando, coitada"..."deve
ser algo bem ruim". Até recebi uma frase consoladora de um moço, que me
disse: "Seja o que for, vai passar...". Quando eu li naqueles olhares
essa segunda parte que dizia "deve ser algo bem ruim", comecei a me
sentir um lixo. Sim, um lixo, indigna de minhas próprias lágrimas. Eu tinha um
motivo, é claro, mas comparado a tantas outras coisas que poderiam ter se
passado na cabeça de cada um que me viu, eu só estava sendo uma garotinha
mimada. Poderia ter perdido um ente muito querido, poderia ter acabado de me
despedir de um amigo que só veria daqui 5 anos. Quem sabe acabara de descobrir
que tinha câncer. Ou então, um término de noivado inesperado!
Então disse para meu
sentimento ir embora, ou esperar alguns minutos até chegar em casa, porque ali,
em público, ele só seria aceito de fosse realmente grave. O resto que espere.
Espere o travesseiro, o silêncio do quarto e da alma.
O fato é que as
pessoas não estão acostumadas a demonstrar suas fraquezas. Só se tem vez para
as coisas mais urgentes. Pequenos ajustes sentimentais não são bem-vindos no
dia a dia das pessoas.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Da liberdade feminina
Era de manhã, para ser mais precisa, oito horas. E eu estava conhecendo uma nova praia, em uma nova cidade. Estacionei meu carro e resolvi ir andando por um caminho no qual as pessoas usam para se exercitar e, é claro, para ter acesso às praias e a um maravilhoso farol. Acontece que nem andei dez metros, e já percebi um sujeito estranho vindo em minha direção e dirigindo uma bicicleta. Sei que não é certo a gente julgar alguém pelas aparências, até me senti uma pessoa má por ter feito isso, porém, eu era uma moça sozinha naquele momento, e tive que tomar minhas precauções, evitando o contato com aquela ele e voltando por outro caminho. Ele foi indo, e de repente parou. Parou de andar porque bicicletas são mais velozes que pessoas, e esperou que eu o ultrapassasse. Resolvi entrar em um caminho que dava para a praia, onde havia pessoas e eu estaria mais "segura". Fui. Andei, andei e achei que tudo estava indo bem... Passei por algumas pessoas, por um moço que estava apreciando um cigarro ilegal aqui no Brasil, enquanto observava o mar. Olhei pra trás e lá estava ele, o meu perseguidor. Voltei, e parei do lado do moço do cigarro ilegal aqui no Brasil. Ele, que mais tarde me afirmou ter sentido a maldade no olhar do perseguidor, me perguntou, gentil: "Está tudo bem?". Disse que achava que não, que estava sendo seguida. Ele me convidou para ficar ali um pouco, até quem sabe o cara da bicicleta ir embora. Conversamos um pouco, trocamos alguma ideia. E em momento algum ele se sentiu impaciente em querer seguir seus planos para aquela quarta-feira ensolarada. Depois de um tempo, vimos que o perseguidor não queria sumir, então nós resolvemos sumir, ele me levou até o carro e nos despedimos.
Primeira reflexão:
poxa. Algumas pessoas na nossa vida simplesmente aparecem ao acaso, e levamos
delas apenas o nome, um instante e uma recordação boa. Anjos, talvez? Não sei.
Mas dormi pensando no bem que uma pessoa me fez apenas por estar ali, naquela hora
e lugar.
Segunda e última
reflexão: não sei qual o tipo de maldade planejada pelo perseguidor da
bicicleta. Talvez fosse me assaltar ou, quem sabe, algo pior que envolvesse a
minha vida ou "reputação" .
E pensei na roupa
que estava usando naquela manhã: uma blusa que amarrava no pescoço (sem
decotes) e uma saia jeans, e biquíni por baixo. Estaria, eu, provocando o moço
com a minha roupa? Não estava no direito de usar aquela roupa, naquela ocasião?
Ou seria necessário uma burca para ir à praia sem ser incomodada?
Onde estava o meu
direito de vestir a roupa que eu achava adequada na ocasião? Meu direito estava
escondido por trás da verdade que existem pessoas más, e que você, quer queira,
quer não, terá que evitar situações de perigo. Não concordo, não concordo mesmo
com isso. Nós, mulheres, ao longo da história já fomos mal vistas por andar
sozinhas e desacompanhadas nas ruas. Culturalmente, isso já foi superado
totalmente. Mas e na prática? Na prática, minha amiga, a verdade é que corremos
o risco de sermos bem vistas, mas bem vistas por pessoas do mal. Salve-se quem puder e viva os anjos da
guarda!
sábado, 25 de janeiro de 2014
Garçom
É claro que garçom ira preferir olhar pra mesa ao lado E se for para me ver, será pra pensar O que essa menina estranha Que se brinda Que se ama Mesmo quando nao se pinta?! Que sorri e ri de si mesma Em uma conversa que arde por dentro Dentro de si
Conversa a dois
A chuva caindo
O álcool subindo
E a conversa fluindo
De eu para mim.
Às vezes parece que faz um tempão
Um bom tempo que a gente não se vê
Ver eu não diria, o espelho estaria mentindo
Mas faz dias que a gente não se conecta com a alma
Com nossas conversas internas
Vejo mesas cheias
Outras a dois
Também estou a dois, pois estou sozinha comigo e me faço companhia. Brindo a noite e a vida
As conquistas
Rio comigo por tudo que já passamos juntas
Já superamos tantas coisas!
E você sempre esteve comigo
As vezes tivemos que parar, andar mais devagar Discordamos em algumas opiniões, mas no fim das contas tivemos que fazer escolhas, e elas seriam únicas Nos entendemos sempre no final
E graças a essa amizade de 23 anos, hoje proponho um brinde especial: a nós: eu e mim.
domingo, 5 de janeiro de 2014
O chuveiro e a qualidade de vida
Ontem cheguei de viagem. Férias
coletivas que me levou ao destino mais óbvio de todos depois de um ano longe e
escasso de feriados: casa da mãe. Como é bom estar em família. Eu poderia falar
aqui como é bom estar na casa em que crescemos, mas esse não é o caso... não é
exatamente a casa em que cresci, brinquei, tomei banho de mangueira. Mas é a
casa da minha mãe. E como toda casa de mãe, é aconchegante. A começar pelo
chuveiro.
Passei oito dias tomando banho
naquele chuveiro com um fluxo maravilhoso de água. Água quentinha, na
temperatura agradável. Depois, passei mais quatro dias na casa da minha tia. E
lá estava ele: um chuveiro tão bom quanto o da minha mãe. Até mais potente. Fiquei
mal acostumada sem perceber. Aliás, ontem, quando cheguei em minha casa pedindo
por um banho, liguei o chuveiro e... esperei... esperei. O que será que
aconteceu? Estamos com pouca água na caixa? Será que ironicamente Joinville
passou por dias de seca? Não. Acho que meu chuveiro de cinquenta reais nunca
foi tão bom quanto eu pensava. Ele era, e continua o mesmo. Acho que fui eu
quem mudei, conheci algo melhor e quando retrocedi um passo, senti dificuldade
em acostumar.
Assim acontece com muita coisa na
vida da gente. Quando aparece uma oportunidade, buscamos sempre melhorar. Se
temos possibilidade de crescer, ou de nos dar um luxo a mais, o fazemos. Sem
culpas. Afinal, por que não? Acontece que nunca pensamos que poderemos precisar
retroceder. Voltar ao passado, ao antigo, ao menos confortável. Retroceder? Andar
para trás? Jamais. Diriam algumas pessoas. Mas às vezes a vida nos prega peças,
e nos obriga. Fazer o que? Nos resta sorrir e mergulhar o rosto à procura dos
pingos que comporão nosso banho. Sorrindo, sempre.
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