quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Bis de limão


Eu desliguei um sentido
Para aguçar outro.
O carro já está de partida.
Motores ligados, pedras ruindo.

A gaita prepara sua música
Para quando a natureza silenciar.
Mas ainda há pássaros,
Formigas, vento e tratores.

O sol se pondo ao oeste.
O vento soprando ao sul.
A aula já está acontecendo,
E eu com você, e o céu azul.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mesa de bar

Desce quatro rabos de galo.
Por favor, garçon, uma caneta e um papel.
Não percamos tempo, inspiração não cai do céu.

A noiva já chegou.
Gritos e alegria.
Não percamos o ritmo, não percamos a música.
Toca Raul.

Não percamos o lirismo dos bêbados.
O lirismo, o sorriso, o sentido.
A noite é apenas uma criança,
E nós... também!

Em busca de um escape, um canto, um manto
Para a lua que se vai.
Portanto, escrevemos.
Escrevemos ao mundo, o nosso mar.

Um giz, uma lousa, atores.
Um palco, um assalto, um ato.

A vergonha, deixemos de lado.
A hora é agora,
A hora de viver.
Viva!