quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Da liberdade feminina

Ontem, passei por uma situação nada agradável e que me fez refletir algumas coisas.
Era de manhã, para ser mais precisa, oito horas. E eu estava conhecendo uma nova praia, em uma nova cidade. Estacionei meu carro e resolvi ir andando por um caminho no qual as pessoas usam para se exercitar e, é claro, para ter acesso às praias e a um maravilhoso farol. Acontece que nem andei dez metros, e já percebi um sujeito estranho vindo em minha direção e dirigindo uma bicicleta. Sei que não é certo a gente julgar alguém pelas aparências, até me senti uma pessoa má por ter feito isso, porém, eu era uma moça sozinha naquele momento, e tive que tomar minhas precauções, evitando o contato com aquela ele e voltando por outro caminho. Ele foi indo, e de repente parou. Parou de andar porque bicicletas são mais velozes que pessoas, e esperou que eu o ultrapassasse. Resolvi entrar em um caminho que dava para a praia, onde havia pessoas e eu estaria mais "segura". Fui. Andei, andei e achei que tudo estava indo bem... Passei por algumas pessoas, por um moço que estava apreciando um cigarro ilegal aqui no Brasil, enquanto observava o mar. Olhei pra trás e lá estava ele, o meu perseguidor. Voltei, e parei do lado do moço do cigarro ilegal aqui no Brasil. Ele, que mais tarde me afirmou ter sentido a maldade no olhar do perseguidor, me perguntou, gentil: "Está tudo bem?". Disse que achava que não, que estava sendo seguida. Ele me convidou para ficar ali  um pouco, até quem sabe o cara da bicicleta ir embora. Conversamos um pouco, trocamos alguma ideia. E em momento algum ele se sentiu impaciente em querer seguir seus planos para aquela quarta-feira ensolarada. Depois de um tempo, vimos que o perseguidor não queria sumir, então nós resolvemos sumir, ele me levou até o carro e nos despedimos.
Primeira reflexão: poxa. Algumas pessoas na nossa vida simplesmente aparecem ao acaso, e levamos delas apenas o nome, um instante e uma recordação boa. Anjos, talvez? Não sei. Mas dormi pensando no bem que uma pessoa me fez apenas por estar ali, naquela hora e lugar.
Segunda e última reflexão: não sei qual o tipo de maldade planejada pelo perseguidor da bicicleta. Talvez fosse me assaltar ou, quem sabe, algo pior que envolvesse a minha vida ou "reputação" .
E pensei na roupa que estava usando naquela manhã: uma blusa que amarrava no pescoço (sem decotes) e uma saia jeans, e biquíni por baixo. Estaria, eu, provocando o moço com a minha roupa? Não estava no direito de usar aquela roupa, naquela ocasião? Ou seria necessário uma burca para ir à praia sem ser incomodada?

Onde estava o meu direito de vestir a roupa que eu achava adequada na ocasião? Meu direito estava escondido por trás da verdade que existem pessoas más, e que você, quer queira, quer não, terá que evitar situações de perigo. Não concordo, não concordo mesmo com isso. Nós, mulheres, ao longo da história já fomos mal vistas por andar sozinhas e desacompanhadas nas ruas. Culturalmente, isso já foi superado totalmente. Mas e na prática? Na prática, minha amiga, a verdade é que corremos o risco de sermos bem vistas, mas bem vistas por pessoas do mal.  Salve-se quem puder e viva os anjos da guarda!

sábado, 25 de janeiro de 2014

Garçom

É claro que garçom ira preferir olhar pra mesa ao lado
E se for para me ver, será pra pensar
O que essa menina estranha
Que se brinda
Que se ama
Mesmo quando nao se pinta?!
Que sorri e ri de si mesma
Em uma conversa que arde por dentro
Dentro de si

Conversa a dois

A chuva caindo  
O álcool subindo 
E a conversa fluindo 
De eu para mim.  

Às vezes parece que faz um tempão  
Um bom tempo que a gente não se vê 
Ver eu não diria, o espelho estaria mentindo 
Mas faz dias que a gente não se conecta com a alma 
Com nossas conversas internas  
Vejo mesas cheias 
Outras a dois 
Também estou a dois, pois estou sozinha comigo e me faço companhia.
Brindo a noite e a vida 
As conquistas  
Rio comigo por tudo que já passamos juntas 
Já superamos tantas coisas! 
E você sempre esteve comigo 
As vezes tivemos que parar, andar mais devagar
Discordamos em algumas opiniões, mas no fim das contas tivemos que fazer escolhas, e elas seriam únicas
Nos entendemos sempre no final 
E graças a essa amizade de 23 anos, hoje proponho um brinde especial: a nós: eu e mim. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

O chuveiro e a qualidade de vida

Ontem cheguei de viagem. Férias coletivas que me levou ao destino mais óbvio de todos depois de um ano longe e escasso de feriados: casa da mãe. Como é bom estar em família. Eu poderia falar aqui como é bom estar na casa em que crescemos, mas esse não é o caso... não é exatamente a casa em que cresci, brinquei, tomei banho de mangueira. Mas é a casa da minha mãe. E como toda casa de mãe, é aconchegante. A começar pelo chuveiro.
Passei oito dias tomando banho naquele chuveiro com um fluxo maravilhoso de água. Água quentinha, na temperatura agradável. Depois, passei mais quatro dias na casa da minha tia. E lá estava ele: um chuveiro tão bom quanto o da minha mãe. Até mais potente. Fiquei mal acostumada sem perceber. Aliás, ontem, quando cheguei em minha casa pedindo por um banho, liguei o chuveiro e... esperei... esperei. O que será que aconteceu? Estamos com pouca água na caixa? Será que ironicamente Joinville passou por dias de seca? Não. Acho que meu chuveiro de cinquenta reais nunca foi tão bom quanto eu pensava. Ele era, e continua o mesmo. Acho que fui eu quem mudei, conheci algo melhor e quando retrocedi um passo, senti dificuldade em acostumar.

Assim acontece com muita coisa na vida da gente. Quando aparece uma oportunidade, buscamos sempre melhorar. Se temos possibilidade de crescer, ou de nos dar um luxo a mais, o fazemos. Sem culpas. Afinal, por que não? Acontece que nunca pensamos que poderemos precisar retroceder. Voltar ao passado, ao antigo, ao menos confortável. Retroceder? Andar para trás? Jamais. Diriam algumas pessoas. Mas às vezes a vida nos prega peças, e nos obriga. Fazer o que? Nos resta sorrir e mergulhar o rosto à procura dos pingos que comporão nosso banho. Sorrindo, sempre.