segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Edifício, é difícil


Um edifícil.
É difícil saber
O que de lá sai... o que entra...
O que existe ou deixou de o fazer.

O edifício da alma
Seria um rio, um atalho
Para quem quiser chegar.
Visitar o museu em um passeio raro.

Saber é uma faca.
Faca de dois gumes.
Fumo.
Um vagalume no escuro.
Um fruto.
Doce ou venenoso.

Escombros são só resquícios.
O hoje.
O jardim novo,
As flores que são regadas pelas chuvas do presente.
É o que importa.
O importante.
Nunca obstante, mesmo talvez...distante.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Bem querer


A rosa muda.
De muda, de broto.
À flor, falante.
Do broto, um sopro
E eis que surge a vida.

Se tudo muda.
Talvez o porto não seja mais seguro.
Talvez a porta abra para um lugar escuro.
Mas há sempre janelas.

Nelas.
Sei que a canção trará você.
E levará o medo.
Um sopro e você...
Vai viver mais.
Viver atrás.
Sempre.

Não precisa de nexo.
Da puta queres o sexo.
Mas a gravata cortada
Só lhe trará de um amor verdadeiro.

Oh, quero saber o paradeiro.
Ou será que a fórmula, tem o padeiro?
Quero a massa.
Quero a casa...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Os pássaros e as notas da minha janela...


Os pássaros aqui da minha janela, são carros, motos, motores.
Aqui na minha janela, a vida é de fumaça.
As notas não são sol nem lá, são dó.
Daqui da minha vista, o tempo é pretérito.

Mas para quem não conhece lá.
Si um dia lá conhecer.
O dó será apenas dó.
E o sol brilhará junto a mi.

As pilhas, as milhas, as coisas todas..
Correndo, voando, e morrendo.
Sob a minha janela de cristais.
Eu vejo óculos, binóculos e o cais.

Mas eu sei que se um dia lá conhecer.
O sol brilhará junto a mi.
Junto a mi.
O Sol.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

eternizar


Onde foi que eu deixei meu sapatinho de Cristal, Cinderela?
E as minhas meias de lã, Papai Noel?
Cadê o cachecol da vovó?

Eu não sei.
Eu não sei.
Eu não sei o que escrever.

Escrevo para me sentir melhor.
Escrevo para me encontrar.
Nesse sol que reflete as minhas lentes de contato
e me fazem sentir falta
Do seu tato.

Que vontade de fazer uma tattoo.
Mas se você estiver apenas escutando esse poema,
Saiba que não é o animal.
Falo de marcas eternas na pele.

Aquelas que nem a água e nem o sabão tira.
Quero eternizar.

Reme, reme, reme.
Eu não sei pra onde a lagoa vai dar
Só sei que já deu.
Pra mim a vida agora é remar...

domingo, 21 de novembro de 2010

O último cigarro.


Me traga o isqueiro.
Me traga o fogo.
Apague o vento.
Traga-me.

Este pode ser nosso último cigarro.
Mas enquanto o relógio passar,
Haverá sempre um depois.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Hey, vento.


A cortina, os diálogos, os risos
Não se encerram.
É apenas o Ato.
Que se finaliza, eterniza.

As palmas, os aplausos e as vozes permanecem.
Na mente de quem viveu, nada se esquece.
São apenas caminhos tortuosos.
É apenas o vento batendo na janela do meu quarto.
Perguntando se lhe permito entrar, vagar sobre os meus móveis e derrubar minhas fotografias.
Espalhar poeira sobre meus lençóis e apagar as marcas de batom de seu colarinho.

Hey,
Vento, fique aí fora.
Minha parede é de cimento.
E nossa felicidade não demora...
Não demora a se concretizar.

domingo, 7 de novembro de 2010

Você é...

Água mineral, água mineral,saco de lixo, fita marrom.
Cebola nacional, tomate saladete, carne moída especial, quiabo itimura.
Banana nanica, leite, leite, leite.
Bisnaguinha, achocolatado, condicionador,xampú.
Bis, sorvete napolitano.
Lasanha.
Macarrão fucilli, steak frango, molho knorr.

Como diz o ditado,
Você é aquilo que você consome.
Por favor, garçon, me vê uma batata frita!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Bis de limão


Eu desliguei um sentido
Para aguçar outro.
O carro já está de partida.
Motores ligados, pedras ruindo.

A gaita prepara sua música
Para quando a natureza silenciar.
Mas ainda há pássaros,
Formigas, vento e tratores.

O sol se pondo ao oeste.
O vento soprando ao sul.
A aula já está acontecendo,
E eu com você, e o céu azul.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mesa de bar

Desce quatro rabos de galo.
Por favor, garçon, uma caneta e um papel.
Não percamos tempo, inspiração não cai do céu.

A noiva já chegou.
Gritos e alegria.
Não percamos o ritmo, não percamos a música.
Toca Raul.

Não percamos o lirismo dos bêbados.
O lirismo, o sorriso, o sentido.
A noite é apenas uma criança,
E nós... também!

Em busca de um escape, um canto, um manto
Para a lua que se vai.
Portanto, escrevemos.
Escrevemos ao mundo, o nosso mar.

Um giz, uma lousa, atores.
Um palco, um assalto, um ato.

A vergonha, deixemos de lado.
A hora é agora,
A hora de viver.
Viva!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Taking a walk on the wild side...



No jipe amarelo, óculos de sol.
Cabelos ao vento.
Sempre em movimento,
Nas estradas do Texas.

Eu e você.
E o rádio ao meio-dia,
Tocando Lou Reed.
Tocando Bob Dylan.

Nós dois,
Eu no volante, feminismo na veia.
Você ao meu lado,
fumando um cigarro.

Amor, você tem pressa?
Eu não.
Sem pressa nem destino.
Mas então você se questiona sobre o Carpe Diem.

Paremos um instante para um lanche.
Talvez um pão de queijo na beira da estrada.
Vamos, vamos,
Vamos dar um passeio pelo lado selvagem.

Doo do doo do doo do do doo, ....

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

o novo


O novo.
A menina, o ovo.
A galinha e seu destino, instinto.
O pintinho, a vida!

O salto,
A cara no asfalto.
Os dedos,
os medos.

Assim reagimos ao desconhecido.
Ao novo.
Com um pouco de adrenalina, e uma pitada de sal,
Descobrimos um mundo real.

Às vezes o anseio,
o receio de que seja tudo matrix,
de que seja um sonho, um plano B.
É por essas e outras que... namastê!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Panem et circenses


Na Roma Antiga, havia uma política na qual o governo providenciava ao povo comida e diversão (pão e circo) para que se amenizassem as reclamações.
Creio que hoje não é muito diferente. Bom, um pouco.
Estava pensando a respeito do futebol. Era para ser apenas um esporte, mas em nosso país, é sagrado, e ai de quem o desrespeite. Em nosso país, pára-se de trabalhar por causa de um jogo. Estudantes faltam da aula para assistir o tão esperado momento nas telinhas. No nosso Brasil, amizades são destruidas e até mesmo mortes acontecem por causa de rivalidades entre os times. Aqui, na nossa terra de terceiro mundo, o investimento e a grana que envolve tal esporte é enorme. Muitas crianças desde pequenas alimentam o sonho de serem jogadoras de futebol quando crescerem. Mas muitas vezes faltam alimentos para o corpo. E é exatamente por isso que a nossa política se diferencia da de Roma. Não queremos só diversão. Queremos, como diz a música dos Titãs, comida, diversão e arte. Comer, fazer amor, prazer, dinheiro, felicidade, entre muitas outras coisas.
Perdoem-me os fãs de futebol, pois a crítica não é essa. A crítica é sobre a política, é sobre a mídia, é sobre o poder e o capitalismo. A crítica é sobre os grandes que mantém programas que distraiam a população dos problemas maiores. É sobre os mantenedores que investem bilhões de dinheiro em um esporte, mantém milhões de brasileiros com a bunda no sofá, inertes e com uma felicidade opaca e um sorriso superficial. Faltam sorrisos verdadeiros da alma e do estômago. Do ego e do emprego.
Vamos sorrir.
As eleições estão aí.
Nada de tapar buracos superficialmente. Nada de remendos.
Vamos sorrir com a alma.
A hora é agora.

sábado, 28 de agosto de 2010

O pincel

O pincel a bailar
Dava cor à saia da cigana,
Dava movimento aos seus braços
Dava vida ao palhaço.

O pincel,
Fazia o vai-vem das ondas do mar.
Mostrava ao vento a direção a tomar.
Brincava de azul, brincava de céu.

O meu pincel, violento e teimoso,
Passava horas, a pintar um moço
Ele era de vidro, era de linho.
Mas era meu.
Meu.

terça-feira, 17 de agosto de 2010


Somos feitos de carne, osso e hábitos.
Os dois primeiros, intrínsecos e instintos,
Comuns e senso.
Hábitos: estes sim!
Nosso eu, nossa individualidade.
São eles quem definem nossas verdades!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Desabafo

Cansei da minha rouquidão,
Da minha falta de palavras, de expressão.
De engolir xaropes e chás que o tempo insiste em me entregar.
Fazendo que me sinta doente, sem razão.

Cansei de não saber o que dizer,
De dizer errado,
De errar sempre,
Pela falta ou pelo excesso.

Cansei da falta de timbres e letras.
Letras e timbres.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
(tudo o que vejo são apenas pontos...)
!
?

Odeio minha falta de habilidade com as palavras.
O meu silêncio me irrita!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Novo, já!


Não,
Eu não agüento mais ficar doente.
Senta aqui pra gente conversar.
Sim,
O ano novo está chegando
Qual a cor da saúde, que a calcinha eu vou pintar.

Já tentei,
Já tenho amor, paixão e fé.
A banda começou e a nossa música nem tocou.
Vamos mudar, vamos mudar.
Ano novo, desta vez, por favor, sem perder o anel.

Ano novo,
Esqueça o lirismo dos bêbados.
Esqueça aquele novo que velho ficou.
Agora é você, e só.
Então sejas para mim, um refúgio, um mergulho, um salto para a vida.
Oh meu Deus,
Oh meu Deus,
Deixe-me acordar.
Ainda estamos na metade do queijo, vai demorar pra terminar.
A outra metade já roubada, não vai voltar.
Mas não sejas tolo,
Sempre resta uma metade.
Vou me lambuzar!
Faca, cadê você?
Não, não, não.
Não vou te ajudar.
Vai com tudo vai com a mão.
O sabor, melhor sentirá.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sumiço


Era só o caminhão de lixo na minha janela.
E eu pensando que pudesse ser fantasmas.
Era só pra ser coisa de uma noite.
E eu me enganando uma vez mais.

Queria poder extravasar.
Gritar
Pular
Dançar
E fugir.

Fugir para o paralelo.
Sai dessas loucas ruas,
Loucos metrôs a mil por hora,
Loucas fumaças fumegantes.

Acho que louca, já estou.
Ouço barulhos, te vejo no escuro, apalpo o vento.
Por favor, garçom, traga-me mais uma cerveja.

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Existem sempre dois ônibus a pegar.
O céu está estrelado e algum destino traçado?
Não.
A escolha é nossa.

Existe aquele ônibus que já faz parte da rotina.
É certo. Está ali, sempre.
Mas você também sabe que ele não mudará o caminho.
Será sempre o mesmo percurso, o mesmo motorista e as mesmas placas.

Ás vezes é preciso saber ler.
Saber ler não apenas as placas que dizem Vá em frente.
Saber ler implica também as placas:
Retorno. Pare.

Saber ler, nos faz pensar.
Que às vezes compensa andar mais, e mudar de ônibus.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Colorir para existir


Início de ano letivo é sempre aquela correria. As papelarias se preparam para receberem um contingente de pessoas, e é realmente assim que acontece. Mães e filhos correndo para lá e para cá, em busca dos materiais contidos nas listas escolares e que na maioria das vezes: é um exagero!
Catarina chega a sua casa após as compras, apenas com o básico: um caderno para todas as matérias, lápis de cor novos e o que não deu para reaproveitar do ano passado. Em sua casa as coisas são um pouco limitadas. Os pais trabalham o dia todo para que não falte nada para ela e suas três irmãs. Por ser a mais velha das filhas, Catarina tem a responsabilidade de cuidar das pequenas. Divide o quarto, a comida, e o pouco tempo e atenção que recebe dos pais. Faz tudo isso sem reclamar e ainda ajuda a manter a casa em ordem.
Mas chega uma hora em que o fardo é pesado demais para seus nove anos, então é preciso extravasar. Mas não como as crianças mimadas que vê por ai. Catarina extravasa à sua maneira. Senta no chão de seu quarto, abre sua caixinha de lápis de cor e começa a desenhar. Desenha seus sonhos, o que a faz feliz, desenha o belo. Depois do contorno, chega sua parte preferida: escolher as cores. Dar vida a seu desenho. Dar cor a seu cotidiano.
Catarina sabe o segredo da vida. E com quem será que aprendeu? Talvez seja a inocência de criança que nós, quase sempre, deixamos ir embora com o tempo. Bombardeamos-nos pelo pessimismo, pelas tragédias que são expostas diariamente nos noticiários e esquecemos do mais importante da vida: colorir.
Se sua vida fosse um filme, como seria? Gostaria que a minha tivesse um roteiro como dos filmes antigos, mas que dispusesse dos recursos e da tecnologia atual. O roteiro está em suas mãos e quanto à tecnologia, basta apontar seus antigos lápis de cor e mãos à obra!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Costurar...


Vamos costurar, vamos costurar menina.
Que seja uma boneca de pano,
Um vestido de chita,
Ou uma meia para a nova visita.

Vamos costurar menina,
Você já cresceu.
As bonecas abandonou.
O vestido, curto ficou.

Mas não páre de costurar...
Ainda há aquela ferida, lembra?
Que você tapou com band-aind e não deixou cicatrizar?
É ela mesmo, vamos lá, vamos lá...
Está na hora de sarar!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

É tarde, é tarde, é tarde.


O tempo é curto. O tempo é curto minha gente.
E o que você tem feito?
Trabalhado horas a fio, conversado com as pessoas queridas apenas pelo telefone e e-mails?
Lavado a louça dos banquetes?
Como diria o coelhinho da Alice: “É tarde, é tarde, é tarde!”
É tarde e você precisa se decidir, que rumo tomar, que máscara usar, que escolhas dirão quem você é.
Um caminho tortuoso às vezes é melhor que uma trilha reta e previsível.
As paisagens sempre iguais fazem os olhos buscar por um oásis.
Mas às vezes, para o navegante, o porto deve ser seguro.

Que tipo te define?
Quem tu és?
A cara ou a coroa?

A expectativa é algo que move os seres humanos. Expectativas de como será o primeiro dia de aula, de como será a sensação do primeiro beijo, de como será aquela viagem tão esperada ou do orgulho do primeiro emprego. Trato aqui um caso em particular.
Duas pessoas, uma de cada sexo. Uma cidade pequena, do interior. As fofocas eficientes boca-a-boca.
A garota já tinha ouvido falar o nome do garoto, bem mais velho. Já ouvira sobre sua beleza troiana. Já o vira algumas vezes, porém, ele não sabia de sua existência, até que se encontraram em uma boate. Ele a avistou. Gostou. Não exitou. Mesmo namorando, decidiu que queria conhecê-la. Msn. Isso mesmo. Pediu o msn da garota e daí por diante, vocês, caros amigos, já sabem. Muitas noites de insônia e conversa, conversas e risadas.
Meses se passaram. Meses férteis ou meses sem contato, e as duas pessoas se encontraram em um restaurante. A garota achou estranho ele estar sozinho. Descobriu que estava solteiro. E então, disse que não se chamaria mais fulana, se não conseguisse um beijo dele. As amigas a caçoavam, perguntando qual seria seu novo nome.
Em uma semana, dito e feito. Encontraram-se ao acaso. Não tão acaso assim, pois se deve considerar o tamanho da cidade. Saíram para dar uma volta. Algo convencional. O tão esperado aconteceu. O beijo aconteceu. Mas espere, pensou ela. Era para ser diferente. Era para a garota estar feliz. Mas não. Naquele momento, ela descobriu algo que lhe serviria de lição para toda vida: continuaria a se chamar fulana e, o resto, o resto não mudou nada. Sua vida continuava a mesmíssima coisa. Arnaldo Jabor entenderia perfeitamente em sua crônica sobre o bumbum de Juliana Paes. Fato que é um belo bumbum brasileiro, porém, ao ser conhecido, revelado a todos os esperançosos, tornou-se realidade o sonho de muitos. Acabaram-se as expectativas.
Há coisas que é melhor deixar no plano da ilusão, a conhecer tal palavra com a partícula “Des”.

quarta-feira, 9 de junho de 2010


O círculo

Círculo.
Circunferência.
Roda.
Bola.
Esfera.
Espera...

Não importa o termo,
Há sempre um retorno
As voltas sempre se completam.
Enquanto os pontos esperam
Pelo reencontro.

Nós, quem sabe, não somos unidades desse ciclo vicioso?
Nós, quem sabe, um dia nos reencontremos no ponto em que paramos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Não há vida sem história.
Não há história sem vida
Após o Big bang,
Tudo é movimento. Tudo é mudança. Tudo é evolução.

Histórias ou estórias.
Reais ou fictícias.
Tristes ou alegres.
Previsíveis ou misteriosas.
Absurdas ou clichê.
Serão sempre histórias...

Sem as quais,
Não há registro,
Não há passado,
Não há presente,
Não há futuro,
Não há conhecimento,
Não há válvulas de escape,
Não há eu.
Eu não existo.

terça-feira, 11 de maio de 2010


Eu quero minha menina de volta.
Quero o sorriso estampado no rosto do palhaço,
Quero os dias de circo, de stand-up constante.
Quero tudo isso já, e sem esforço.

Dá-me, Dá-me, Dá-me.
Eu quero as aventuras de um livro
Mas na flor da pele e não no mundo paralelo.
E quero ser protagonista novamente,
E fazer da vida um teatro improvisado.

Cansei de dar voltas, e mais voltas.
E estar sempre no mesmo lugar.

segunda-feira, 10 de maio de 2010


Sim meu caro amigo,
As coisas costumavam a ter mais cor.
A rotina, mais sabor.
As pessoas, mais graça.
As festas, mais risadas.

Sim meu caro amigo,
Talvez seja só comigo,
Ou talvez seja um mal da humanidade.

Não sei ao certo,
Se não vejo mais de perto,
Ou se o binóculos quebrou.

Só sei que dói.
Está doendo a nostalgia.
Dói a falta dos dias que vivia.

Dói a falta da força.
A força de viver,
Não apenas existir.

terça-feira, 4 de maio de 2010

thé


Chá.
O chá posto sobre a mesa,
Sai do bule fumegante, quente, ofegante.
Domina a superficie da porcelana.
Espera por alguém capaz.
Capaz de desafiá-lo, em sua mais alta temperatura.

Chás.
São como gente.
Chás repletos de propriedades.
Emagreça. Alivie. Previna.
E a gente é fraco, bebe.
Chá-mate.
Chá, mate!

segunda-feira, 26 de abril de 2010


A catraca quebrou. Vi isso no restaurante.
Mas na vida, quando isso acontece, é um perigo.
Glória aos vitoriosos que entram, e fracasso para as antigas leis que regiam o local.
Perigo a vista, valores em cheque.
O que tem de tão importante na catraca?
A sua vida.
O seu eu.
Os seres humanos.
Não há seleção, não há critérios.
Há desespero mas também oportunidades.
Eu já não sei se importa colocá-la novamente.
Eu já não sei se irá funcionar.
Às vezes, o que vale mesmo, é tentar.
E deixar rolar...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Fragilidade



Por um fio.
Nossa vida se pendura,
e não sabemos como, se perdura.
Um tiro, um disparo, um vírus.
E a morte vem à tona.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

सिम औ सुब्जेतिविस्मो


As pessoas têm dificuldade de serem objetivas.
Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá Blá

segunda-feira, 29 de março de 2010


Confiança é como bexiga.
Uma mísera bexiga murcha.
Você faz todo esforço com os pulmões, com os lábios e com as mãos, para enchê-la.
Você não desiste.
Se lhe escapa do controle, voa tudo.
Mas você a pega novamente.
Não mais nova. Há vestigios do uso.
Com toda persistência, recomeça a tarefa.

Uma agulha. Uma ponta.
A estoura.
Fim.

domingo, 28 de março de 2010



Sexto sentido existe, sim.
E chego à conclusão que seu sinônimo é Deus.
É proteção.
Nada acontece por acaso.
E se você sonhava navegar por minhas entrelinhas,
Saiba que encontrou a pior maneira de fazê-lo.
Chegastes até aqui a nado.
E encontrastes uma ilha.
Bem-vindo, Robinson Crusoé.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O fabuloso destino das meias.


Para onde vão as meias enquanto dormimos?
Para onde vão os prendedores de cabelo?
Para onde vão tantas coisas que perdemos no caminho?

Eu não sei.
Não trarei resposta alguma neste poema.
Apenas a desilusão de minha ignorância.
Pudera eu, recuperar tudo.
Recuperar não uma meia, ou algum objeto.
Isso o dinheiro compra. Foi apenas metáfora.
Pudera eu recuperar o dia perdido.
O pôr-do-sol inesquecível.
As palavras ditas na velocidade de uma flecha,
Mas uma flecha errada, que não permaneceu em seu alvo.
E aquele sorriso?
O frio na barriga!
Um olhar desajeitado.


Oportunidades não voltam.
Costure suas meias,
Senão poderá se arrepender.

quinta-feira, 18 de março de 2010


Mulheres gostam de ter o total controle da situação, mas esquecem de trocar a pilha.
Mulheres gostam de ter a massa do pão em suas mãos, mas esquecem de colocar o fermento.
Têm flores, mas não regam.
Têm espinhos, mas não cortam.
Têm TV, mas nunca mudam de canal.
Têm manuais, mas não sabem ler.
Têm lápis de cor, mas perdem a habilidade que tinham quando crianças.

Mulheres são mesmo culpadas pelo fracasso dos relacionamentos.
Ou será que são os homens que fazem de tudo para nos sentirmos assim?

Com venda nos olhos,
Não enxergamos os outros.
Não enxergamos nós mesmos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

nonsense


Era uma festa. Festa de família. Festa de gente estranha.
Eu e minha prima.
Só observando.
Chegam os donos da casa.
Bêbados.
Conversa vai, conversa vem.
O magrelo some, o bonito fica.
A prima vai ao banheiro.
Clima.
O aproximar para um beijo...
Quando de repente ele abre a boca:
‘Você está com uma espinha na testa’
Sorriso amarelo meu.
Selinho apenas.
Pensamento:
‘Será que ele beija com chiclete?'
A prima sai do banheiro.
Com uma roupa vermelha do tipo indiana...
A dançar, dançar loucamente!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010


“Por que sempre eu quem tenho que te ligar? Por que você nunca liga?”
“Quando ela mais precisou, eu ajudei...”
“Achei muito cara a mesa por cento e vinte!”
“Ahn, eu achei que o azul ficou melhor sabe?”
“Nossa!”
“O melhor exercício é aquele que você gosta de fazer”
“Hahaahhaha”
“Porque eu to tomando aquele de potinho sabe?”
“É a melhor coisa que você faz, não vai se arrepender...”
“Os neurônios são meus, eu faço o que quero, porra!”
O mundo dá voltas.
Voltas são dadas.
Cada frase, um mundo.
Cada mundo em um mesmo lugar, um mesmo lago, um só.
Todos interligados e ao mesmo tempo, separados pela fronteira da mente.
A mente da gente, ninguém lê.
Somente a parte que deixamos escapar, sem querer, ou propositalmente, em forma de palavras.
Diálogos.
Caminhadas da vida.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010


Um dia eu volto
Não para você.
Não com você.
Não pra você.

Eu volto para reescrever a minha história, meus erros, minha memória.
Eu volto para me encontrar.
Saber qual o ponto em que me perdi de vista, desencontrei-me de minha sombra e de minha alma.
Eu volto para,
se possível,
te apagar.
Se não,
para mim está bom,
apenas enterrar.
E ponto.
Volto.