quarta-feira, 25 de maio de 2011


Andava pelas ruas à noite.
O frio lhe cortava a nuca, e o peso dos livros faziam doer-lhe as mãos.
O caminho de casa já estava cessando.
E uma brincadeira que fazia consigo mesma a distraía.
Reparou nas pessoas com as quais cruzava na calçada: falavam sozinhas.
Uma música americana saltava dos lábios de um gordinho, que a acompanhava com seu fone de ouvido.
Um palavrão saia da boca de um moleque. Quem sabe nã teria se lembrado que esqueceu de alguma coisa.
Uma moça, cabelos no rosto, conversava... Não consegui escutar o monólogo... o barulho dos carros não permitiam.
Deu risada.
- Quanta gente estranha que fala sozinha!
Olhou ao seu redor. Ninguém . Apenas pessoas que a olhavam estranho.
Estranha!
Abriu o portão e entrou em sua casa.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Saudoso José


José não está bem.
José acha que está na hora de retomar a poesia.
Não é que José seja mal agradecido com as circunstâncias, mas...
Na felicidade é difícil escrever.
Dias felizes querem música e poesia já prontas.
Melodias já cantadas. Apenas para sentir.
Hoje, Hoje foi diferente.
Amanheceu frio.
O telefone tocou e era Maria do outro lado do mundo.
Maria fez José sentar em um restaurante, pedir seu prato feito e derramar suas lágrimas escorridas por detrás dos óculos escuros no copo do suco de laranja.
Fez José ser observado pelas pessoas que perto estavam dele no ônibus, inclusive o cobrador.
José chorava, chorava e chorava.
E mandava embora suas lágrimas com a descarga.
Secou-se e lavou rosto.
Estava pronto para o trabalho.
Concentrar-se era difícil.
Sentia saudade, amor e raiva.
Maria não estava mais lá.
Maria era só o tu tu tu do telefone.