quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sumiço


Era só o caminhão de lixo na minha janela.
E eu pensando que pudesse ser fantasmas.
Era só pra ser coisa de uma noite.
E eu me enganando uma vez mais.

Queria poder extravasar.
Gritar
Pular
Dançar
E fugir.

Fugir para o paralelo.
Sai dessas loucas ruas,
Loucos metrôs a mil por hora,
Loucas fumaças fumegantes.

Acho que louca, já estou.
Ouço barulhos, te vejo no escuro, apalpo o vento.
Por favor, garçom, traga-me mais uma cerveja.

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Existem sempre dois ônibus a pegar.
O céu está estrelado e algum destino traçado?
Não.
A escolha é nossa.

Existe aquele ônibus que já faz parte da rotina.
É certo. Está ali, sempre.
Mas você também sabe que ele não mudará o caminho.
Será sempre o mesmo percurso, o mesmo motorista e as mesmas placas.

Ás vezes é preciso saber ler.
Saber ler não apenas as placas que dizem Vá em frente.
Saber ler implica também as placas:
Retorno. Pare.

Saber ler, nos faz pensar.
Que às vezes compensa andar mais, e mudar de ônibus.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Colorir para existir


Início de ano letivo é sempre aquela correria. As papelarias se preparam para receberem um contingente de pessoas, e é realmente assim que acontece. Mães e filhos correndo para lá e para cá, em busca dos materiais contidos nas listas escolares e que na maioria das vezes: é um exagero!
Catarina chega a sua casa após as compras, apenas com o básico: um caderno para todas as matérias, lápis de cor novos e o que não deu para reaproveitar do ano passado. Em sua casa as coisas são um pouco limitadas. Os pais trabalham o dia todo para que não falte nada para ela e suas três irmãs. Por ser a mais velha das filhas, Catarina tem a responsabilidade de cuidar das pequenas. Divide o quarto, a comida, e o pouco tempo e atenção que recebe dos pais. Faz tudo isso sem reclamar e ainda ajuda a manter a casa em ordem.
Mas chega uma hora em que o fardo é pesado demais para seus nove anos, então é preciso extravasar. Mas não como as crianças mimadas que vê por ai. Catarina extravasa à sua maneira. Senta no chão de seu quarto, abre sua caixinha de lápis de cor e começa a desenhar. Desenha seus sonhos, o que a faz feliz, desenha o belo. Depois do contorno, chega sua parte preferida: escolher as cores. Dar vida a seu desenho. Dar cor a seu cotidiano.
Catarina sabe o segredo da vida. E com quem será que aprendeu? Talvez seja a inocência de criança que nós, quase sempre, deixamos ir embora com o tempo. Bombardeamos-nos pelo pessimismo, pelas tragédias que são expostas diariamente nos noticiários e esquecemos do mais importante da vida: colorir.
Se sua vida fosse um filme, como seria? Gostaria que a minha tivesse um roteiro como dos filmes antigos, mas que dispusesse dos recursos e da tecnologia atual. O roteiro está em suas mãos e quanto à tecnologia, basta apontar seus antigos lápis de cor e mãos à obra!