domingo, 30 de janeiro de 2011


O quarto era perfeito... só faltava uma lâmpada...
A mãe trouxe uma trufa cheia de morangos...mas precisava só de um!
A menina acorda, peito sufocado.
Ouvido as vozes da cozinha que diziam:

É melhor não ter esperanças.
A voz, pensou a menina, parece vir de uma boca magra e envolta por bigodes.
Se ao menos tivesse um espelho.
Poderia utilizá-lo para ter...
A sua última imagem.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sucrilhos da humanidade


Não.
Não é esse sucrilhos que mata minha fome.
Abri a geladeira a fim de me preencher.
Empanturrar-me de comida a fim de não sentir.
De não sentir o vazio que há.
Há um vazio em todos.
Buscamos preenche-los de diferentes formas.
Carros, jogos, vícios.
Bolsas, sapatos, cintos.
Sinto muito, meu amigo.
Mas isso já não é suficiente.
O amor.
Polêmica da humanidade.
Será dele a nossa fome?
Mitos.
Gritos.
Gente cansada...
Sim, a humanidade está cansada.

Sabe o que é?
Vemos o próprio umbigo.
Ouvimos, seguimos e idolatramos a própria voz.
A vaidade de um leão.
A isso damos nome de egoísmo.

Desabafos da madrugada.



E quem falou que a vida seria fácil?
Se alguém ousou fazê-lo, mentiu.
Sorriu para o mundo, a fim de falsificar aquilo que é a causa da busca incessante de todos os seres chamados humanos: a felicidade.
Haverá alguém que saiba de tudo que se passa no mundo e ao mesmo tempo senão Deus?
E num mundo único, aquele que existe dentro de um ser único, com idéias e sentimentos que também recebem o mesmo adjetivo: únicos?
Sim. Deus. E é só Ele.
Ele quem sabe das suas necessidades antes mesmo de você nascer.
Sabe quando o falar será uma dificuldade. O se abrir, se rasgar e se expor será uma tortura.
E é assim que nascem os poetas.
Poetas nada mais são do que pessoas pobres em palavras, pobres em diálogos, pobres em falas. E tamanha é a pobreza dessas pessoas que são recompensadas com um dom divino de não deixar-se enlouquecer de sentimentos tão brutais e fortes que batem nas paredes internas dos órgãos, que coçam as cordas vocais, mas que não tem forças para sair. Esse dom chamou-se poesia.
Nelas, o escape, o alívio, a oração.
O pensamento, o abstrato, de uma forma concreta.
Ah, quem me entender nessas palavras, por favor, me diga.
És poeta, és irmão.