Choro de dor,
machucado no dedo.
Choro de perda, de
alguém que se foi.
Choro de riso,
alegria sem fim.
Choro hormonal,
motivos faltantes.
Chorar.
Deixar o rio da água
correr,
Transformar em
mangue.
Sentimento bruto
sedimentado no corpo.
Hoje chorei. Chorei
em público, mais precisamente em uma rodoviária. E confesso que a experiência é
meio perturbadora.
O que acontece é que
você se sente o centro das atenções, o alvo de todos os olhares. Chorava em meu
canto, quieta, porém a vermelhidão no rosto não me deixava esconder.
Desde a moça que
vende casquinha no quiosque até o senhor que estava prestes a embarcar: os
olhares são carregados de sentimentos e vem com uma pergunta que não quer
calar: " por que será que ela está chorando, coitada"..."deve
ser algo bem ruim". Até recebi uma frase consoladora de um moço, que me
disse: "Seja o que for, vai passar...". Quando eu li naqueles olhares
essa segunda parte que dizia "deve ser algo bem ruim", comecei a me
sentir um lixo. Sim, um lixo, indigna de minhas próprias lágrimas. Eu tinha um
motivo, é claro, mas comparado a tantas outras coisas que poderiam ter se
passado na cabeça de cada um que me viu, eu só estava sendo uma garotinha
mimada. Poderia ter perdido um ente muito querido, poderia ter acabado de me
despedir de um amigo que só veria daqui 5 anos. Quem sabe acabara de descobrir
que tinha câncer. Ou então, um término de noivado inesperado!
Então disse para meu
sentimento ir embora, ou esperar alguns minutos até chegar em casa, porque ali,
em público, ele só seria aceito de fosse realmente grave. O resto que espere.
Espere o travesseiro, o silêncio do quarto e da alma.
O fato é que as
pessoas não estão acostumadas a demonstrar suas fraquezas. Só se tem vez para
as coisas mais urgentes. Pequenos ajustes sentimentais não são bem-vindos no
dia a dia das pessoas.