quinta-feira, 15 de maio de 2014

Da sexualidade


Há quem diga que o mundo de hoje está perdido. Que nunca houve tanto casamento sendo desmanchado, tanta traição, tanta dificuldade nos relacionamentos, tanto absurdo, e desvalorização da mulher e etc., e etc. Lendo o livro “Histórias íntimas” de Mary Del Priori, percebi que não é bem assim. A sociedade brasileira desde sempre foi “podre”. O casamento: um arranjo de conveniências entre famílias e, é claro, de conveniências masculinas por terem mulheres submissas que lhes servissem nos afazeres domésticos . Na cama? As mulheres não poderiam nem sonhar em tomar a iniciativa para o sexo com seus maridos (e essa palavrinha, sexo, jamais era pronunciada).  Sexo apenas vestidos. Nudez era imprópria. Seios? Apenas objetos de amamentação, nada eróticos. Orgasmos femininos? Apenas começou a ser falado de tal igualdade de prazer entre os sexos em meados do século XX.  Traição masculina? Normal. Esposas para procriar, mulata para foder. Traição feminina? Apedrejamento! Masturbação causava doenças! Menstruação? Coisa do demônio!
A influência da Igreja sobre a sociedade era altíssima. O sexo era algo feio, sujo, que devia ser feito apenas para procriar, jamais para o prazer. E justamente lá, nas missas aos domingos, que muita coisa acontecia... Que os homens e mulheres trocavam bilhetes, encontros e carícias. Confessionários tiveram muitas histórias pecaminosas para contar, inclusive com os membros da igreja e mulheres casadas. E então me vem a pergunta... e hoje?

O hoje não passa de uma herança de ontem. Tanta podridão não sai assim, de um século para o outro. Ela é levada , na veia, de uma geração para outra. E sabe de uma coisa? A divulgação é apenas maior, mais rápida do que ontem. Porque a podridão... essa continua... e é até mais “banal” do que quando lia o livro “Histórias íntimas”, que me deixava boquiaberta com os absurdos da história da sexualidade no nosso Brasil.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

segredos da meia noite


Escrevo porque minh'alma transborda
De lágrimas, arrependimentos e paralisia
Exagero talvez
Mas é como me sinto
Um nada
Um umbigo nada

Economizar dinheiro,
Ganhar dinheiro
E, para que, José?

A vida é tão curta,
E os laços...
Os laços são frouxos
Os nós machucam
E a vida permanece curta...

Hora um se vai
Ora outro vem
Ora a passagem é só de ida.

Vê-se o velho...
Aquele cujas histórias enchiam o coração de fúria e rancor
Agora é criança novamente,
Um Beijamin Button.
Desaprendeu das coisas, seu maior apego agora não é mais reconhecido
Transformou-se em quase nada.
E é a perda se aproximando a qualquer momento que faz refletir,
Que faz penar.
Compaixonar.

Me sinto um nada
Paralítica pelas minhas manias, meus medos e condições
De ficar sem o líquido,
De estragar as lentes de contato e fabricar “mas” tantas vezes que...

Falta o agora, o momento, o carpe diem.
A alma não acompanha o corpo.
Aquele velho espírito de oito anos atrás, onde estará agora?
Talvez morto
Talvez morimbundo
Talvez em restauro
Ou talvez renasça como a fênix,
Do pó.
E me faça mulher
Com M grande,
Forte e brava
Como o maresia que cobre o meu cheiro

De dia profissional
E à noite,
Essa noite,
Uma criança a chorar suas misérias.

E como me disse hoje, Ferreira Gullar:
“Mas, ao fazer o poema, você transforma sofrimento em alegria estética...E isso pra mim é paz”
Quero paz.
E a encontrei nesses versos trôpegos surgidos em meio aos meus dedos,
Frenéticos,
Genéticos.

Meus.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cheirar os cabelos recém lavados para disfarçar o cheiro de merda da barca em que estás: eis a salvação! Para compensar minha mediocridade, somente estendendo a mão àquela idosa.