Há quem diga que o mundo de hoje
está perdido. Que nunca houve tanto casamento sendo desmanchado, tanta traição,
tanta dificuldade nos relacionamentos, tanto absurdo, e desvalorização da
mulher e etc., e etc. Lendo o livro “Histórias íntimas” de Mary Del Priori,
percebi que não é bem assim. A sociedade brasileira desde sempre foi “podre”. O
casamento: um arranjo de conveniências entre famílias e, é claro, de
conveniências masculinas por terem mulheres submissas que lhes servissem nos afazeres
domésticos . Na cama? As mulheres não poderiam nem sonhar em tomar a iniciativa
para o sexo com seus maridos (e essa palavrinha, sexo, jamais era pronunciada).
Sexo apenas vestidos. Nudez era
imprópria. Seios? Apenas objetos de amamentação, nada eróticos. Orgasmos
femininos? Apenas começou a ser falado de tal igualdade de prazer entre os sexos
em meados do século XX. Traição
masculina? Normal. Esposas para procriar, mulata para foder. Traição feminina?
Apedrejamento! Masturbação causava doenças! Menstruação? Coisa do demônio!
A influência da Igreja sobre a
sociedade era altíssima. O sexo era algo feio, sujo, que devia ser feito apenas
para procriar, jamais para o prazer. E justamente lá, nas missas aos domingos,
que muita coisa acontecia... Que os homens e mulheres trocavam bilhetes,
encontros e carícias. Confessionários tiveram muitas histórias pecaminosas para
contar, inclusive com os membros da igreja e mulheres casadas. E então me vem a
pergunta... e hoje?
O hoje não passa de uma herança de
ontem. Tanta podridão não sai assim, de um século para o outro. Ela é levada ,
na veia, de uma geração para outra. E sabe de uma coisa? A divulgação é apenas
maior, mais rápida do que ontem. Porque a podridão... essa continua... e é até
mais “banal” do que quando lia o livro “Histórias íntimas”, que me deixava
boquiaberta com os absurdos da história da sexualidade no nosso Brasil.
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