domingo, 5 de janeiro de 2014

O chuveiro e a qualidade de vida

Ontem cheguei de viagem. Férias coletivas que me levou ao destino mais óbvio de todos depois de um ano longe e escasso de feriados: casa da mãe. Como é bom estar em família. Eu poderia falar aqui como é bom estar na casa em que crescemos, mas esse não é o caso... não é exatamente a casa em que cresci, brinquei, tomei banho de mangueira. Mas é a casa da minha mãe. E como toda casa de mãe, é aconchegante. A começar pelo chuveiro.
Passei oito dias tomando banho naquele chuveiro com um fluxo maravilhoso de água. Água quentinha, na temperatura agradável. Depois, passei mais quatro dias na casa da minha tia. E lá estava ele: um chuveiro tão bom quanto o da minha mãe. Até mais potente. Fiquei mal acostumada sem perceber. Aliás, ontem, quando cheguei em minha casa pedindo por um banho, liguei o chuveiro e... esperei... esperei. O que será que aconteceu? Estamos com pouca água na caixa? Será que ironicamente Joinville passou por dias de seca? Não. Acho que meu chuveiro de cinquenta reais nunca foi tão bom quanto eu pensava. Ele era, e continua o mesmo. Acho que fui eu quem mudei, conheci algo melhor e quando retrocedi um passo, senti dificuldade em acostumar.

Assim acontece com muita coisa na vida da gente. Quando aparece uma oportunidade, buscamos sempre melhorar. Se temos possibilidade de crescer, ou de nos dar um luxo a mais, o fazemos. Sem culpas. Afinal, por que não? Acontece que nunca pensamos que poderemos precisar retroceder. Voltar ao passado, ao antigo, ao menos confortável. Retroceder? Andar para trás? Jamais. Diriam algumas pessoas. Mas às vezes a vida nos prega peças, e nos obriga. Fazer o que? Nos resta sorrir e mergulhar o rosto à procura dos pingos que comporão nosso banho. Sorrindo, sempre.

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