Ontem o dia me fez refletir
sobre a morte. A começar por ligar a televisão logo pela
manhã
e compartilhar da dor de um casal que perdeu suas três lindas crianças em um
acidente de avião. Tive compaixão, me coloquei
no lugar deles em minha imaginação e pude ter um breve relampejo do
peso de estar naqueles corpos, naqueles corações. Feridas que
não
se fecharão
tão
cedo, se é
que um dia o farão. Um moço sentou-se ao
meu lado no ônibus
e logo tirou uma foto 3x4 de seu bolso. Era uma mulher. Mãe? Namorada?
Estava escuro e eu nada podia deduzir além de suas lágrimas e
indignação.
Dei-a por falecida e aí que entrou minha reflexão. O que pude
fazer para ele foi apenas oferecer meu celular para fazer uma ligação, apesar de
querer ofertar-lhe um ombro. Tanta gente feliz por novos entes que nascem, mas
nesse mesmo instante muitos outros se vão. A dor e a
perda ė
condição
inevitável
da natureza, e um dia é você a sentar
naquela poltrona da perda. Estamos todos em uma fila de espera, esperando a próxima dor,
rezando para que demore a próxima perda. A vida ainda é curta demais
para nos acostumarmos com a morte. Não a queremos próxima de onde
toca nosso coração. Mas em menos de 24 horas foi a vez
da minha família
ser chamada nessa fila. Meu avô nos deixou neste dia, e hoje sento na
poltrona do ônibus
daquele moço.
E recebo uma carona ate a rodoviária de uma colega de trabalho... gestos...pequenos
gigantes gestos! Mas a dor continua inevitável, ate o
momento em que trocamos de assento, e nos deitamos para sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário