quarta-feira, 30 de julho de 2014

Minha crônica de uma morte anunciada

Ontem o dia me fez refletir sobre a morte. A começar por ligar a televisão logo pela manhã e compartilhar da dor de um casal que perdeu suas três lindas crianças em um acidente de avião. Tive compaixão, me coloquei no lugar deles em minha imaginação e pude ter um breve relampejo do peso de estar naqueles corpos, naqueles corações. Feridas que não se fecharão tão cedo, se é que um dia o farão. Um moço sentou-se ao meu lado no ônibus e logo tirou uma foto 3x4 de seu bolso. Era uma mulher. Mãe? Namorada? Estava escuro e eu nada podia deduzir além de suas lágrimas e indignação. Dei-a por falecida e aí que entrou minha reflexão. O que pude fazer para ele foi apenas oferecer meu celular para fazer uma ligação, apesar de querer ofertar-lhe um ombro. Tanta gente feliz por novos entes que nascem, mas nesse mesmo instante muitos outros se vão. A dor e a perda ė condição inevitável da natureza, e um dia é você a sentar naquela poltrona da perda. Estamos todos em uma fila de espera, esperando a próxima dor, rezando para que demore a próxima perda. A vida ainda é curta demais para nos acostumarmos com a morte. Não a queremos próxima de onde toca nosso coração. Mas em menos de 24 horas foi a vez da minha família ser chamada nessa fila. Meu avô nos deixou neste dia, e hoje sento na poltrona do ônibus daquele moço. E recebo uma carona ate a rodoviária de uma colega de trabalho... gestos...pequenos gigantes gestos! Mas a dor continua inevitável, ate o momento em que trocamos de assento, e nos deitamos para sempre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário