Mas ultimamente, estou percebendo
que pequenos gestos que faço – pequenos mesmos – estão fazendo a diferença para
que eu olhe trás e diga que valeu a pena acordar aquele dia.
E as consequências dos gestos me
confirmam: vale a pena, sempre vale!
Hoje estava passeando pela feira
do livro que está tendo em minha cidade, com o tempo muito limitado, pois logo
teria que pegar o ônibus para ir trabalhar. Muitas crianças visitavam a feira
naquele momento com suas escolas. Tinha em minhas mãos uma porção de livros que
iria comprar, devido ao preço muito barato: 3 reais cada. Vi um garoto loiro,
de olhos claros e ele me perguntou quanto custava cada livro. Dei-lhe a
resposta e recebi uma carinha tristinha como retorno: Eu só tenho dois reais!
Ele não me pediu nada, nem insinuou pela maneira em que respondeu, apenas
desabafou alto. E de repente eu não tinha opção nenhuma, a única atitude que
pude ter foi lhe dar o um real que faltava e vê-lo retirar o livro que queria
da estante, pagar, pegar sua sacola, e vir novamente em minha direção e me
agradecer com um sorriso. Retribuído.
Penso não ter feito mais do que a
minha obrigação! O que é um real perto de ver um menino saindo feliz, com um
livro nas mãos? Não, isso não tem preço. E não deveria ter para ninguém, para
criança nenhuma, nunca. Ainda mais um livro, alimento da alma. Futuro provedor
de alimentos físicos.
A grandeza dos dias é diretamente
proporcional à sua capacidade de perceber a pequenez de algumas oportunidades,
e agarrá-las firmemente.
Ajudar uma senhora que carregava
malas e mais malas a pegar seu cachecol que caiu do chão, ajudar, ajudar,
ajudar. Por nada. Por tudo. Pra tornar grande os meus dias pequenos. E ter a
paz e a alegria de saber que aquele dia valeu ser vivido.
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