segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Casos de casais

Depois de se debater por quarenta e sete minutos em seu leito, inquieto, pensativo e irreverente, Otávio decide abrir a boca:
- Marilsa, precisamos conversar. Será que você poderia parar um minutinho de ler a saga Crepúsculo e me escutar?
-Claro benzinho. Estou toda a ouvidos.
Otávio coçou a cabeça, e decidiu que quanto mais rápido falasse, mais cedo tiraria o fardo que carregava nas costas há algum tempo.
-Estou tendo um caso.
-Não acredito que você interrompeu minha leitura, minha higiene mental noturna para me contar isso.
-Como assim Marilsa? Você não ligou nem um pouquinho para o que acabei de falar?
-Poxa Otávio. Faz mais de dez anos que você é advogado. Você tem casos novos todos os meses para resolver.
-Não. Você entendeu tudo errado. Na verdade, é um caso novo sim. Ela é bem mais nova que você Marilsa. Ela não é fria como você se tornou depois de todos esses anos e...e...
-“Tavinho”, benzinho. Não se preocupe. É claro que por ela ser mais nova do que eu, deve ser mais bonita e disposta e tudo mais. Aliás, para precisar de um advogado, deve no mínimo ter roubado, matado alguém, ou cometido algum erro.
-Marilsa, e nós?
-Ora Tavinho, o erro foi meu. Deveria ter esperado por um vampiro igual esse tal de Edward. Mas fazer o quê, né?
Então, Marilsa fechou o livro que tinha nas mãos, colocou-o no criado mudo, apagou o abajur, dando um beijinho de boa noite em Otávio, virou-se de lado e dormiu. Dormiu como sempre dormia.

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