domingo, 1 de julho de 2012

Carta para meu cachorro


Você não merece um poema, você merece um livro todo.
Com direito a risos, brincadeiras, carinho, chocolates, lágrimas, cuidados, amor...
Por você eu digo “He”, e jamais “it”. Muito mais “He” do que muita gente merece.
Nego - por mais branquinho que você fosse- te vi crescer. Nós Te escolhemos e te tiramos de perto da sua mamãe, nos desculpe por isso. Mas lhe demos nosso melhor, e disso você pode ter certeza.
Hoje me veio à tona na memória várias lembranças nossas.
Lembro-me da maneira como eu te cobria com uma cobertinha e te colocava em meu carrinho de bonecas, carregava de lá pra cá nos corredores de casa como se fosse meu filho.
Você, todo sapequinha e chocólatra que era, comeu o ovo trufado da Kopenhagen que ficou sem querer em cima da cama. Quando chegamos em casa, não tinha mais nada, a não ser sua boca toda suja de marrom.
Lembro como você adorava brincar de esconde-esconde com a gente. Ficava todo feliz quando nos encontrava atrás de alguma porta. E ganhava um ossinho como honra ao mérito.
Quando eu, mais crescida, descobri o que era a dor de uma cólica insuportável ou a dor de sofrer por amor, você vinha se deitar ao meu ladinho, como se sentisse a minha tristeza e dor, não é mesmo?
Sempre a alegria da casa. A festa a cada retorno ao final do dia.
Meu amigo, sei que as coisas não ficaram fáceis pra você nos últimos três anos. Sei que as suas perninhas perderam a força. Sei que seus olhinhos e sua visão se embaçaram até que não pudesse ver mais nada. Sei que aos poucos você não pôde mais nos ouvir te chamar. Eu sinto muito por tudo isso. Mas obrigada por ficar conosco até quando você não aguentou mais. Obrigada pela sua presença, por nos ensinar muita coisa que os humanos não são capazes de ensinar.
Te amo e sempre amarei.
Saudades!

Nenhum comentário:

Postar um comentário